Mesmo em hibernação ou funcionando parcialmente em função da pandemia de covid-19, os sistemas hidrônicos de climatização e refrigeração, assim como outras instalações hidráulicas prediais, exigem manutenção preventiva, a fim de evitar, especialmente, a proliferação de micro-organismos em suas tubulações.

Embora importante para a saúde das pessoas, principalmente as que trabalham em edifícios corporativos, fábricas, shoppings, escolas e universidades, o tema não tem recebido a merecida atenção de autoridades, de parte dos profissionais do mercado do frio e da imprensa.

De outro lado, a longa parada dos equipamentos causada pelas medidas de quarentena, por exemplo, tem preocupado entidades, empresas especializadas e profissionais como o engenheiro químico Marcos Bensoussan, diretor da divisão águas da NSF International para América Latina.

O renomado especialista chama a atenção para o risco de formações microbiológicas e a consequente contaminação dos sistemas de ar condicionado central dos edifícios, especificamente pela bactéria Legionella pneumophila, levando ao adoecimento das pessoas quando houver o retorno ao trabalho após a quarentena.

Segundo ele, a presença desta e de outros tipos de bactérias se dá pelo pouco fluxo de água nos equipamentos hidráulicos, inclusive com a evaporação do cloro presente em águas paradas em torneiras, mangueiras, chuveiros, encanamentos, torres de resfriamento, entre outros locais.

As anomalias nessas instalações podem ser detectadas com a realização de testes da qualidade da água, por meio de laboratórios certificados e credenciados para esse tipo de serviço, informa Bensoussan.

Legionella
Bactéria geralmente subestimada pela população, a Legionella é responsável por 90% dos casos de pneumonia grave que costuma acometer pessoas com baixa imunidade.

Descoberto em 1976, após acometer dezenas de pessoas em um hotel da Filadélfia, nos EUA, o micro-organismo causador da legionelose mata em torno de cinco mil pessoas todos os anos no Brasil, de acordo com dados extraoficiais.

“Como as águas das edificações estão paradas, problemas físico-químicos e biológicos se tornam astronômicos. Dentro da especificação de água para consumo humano, se você tomar ou usar essa água, possivelmente terá problemas, pois ela deixou de ser potável”, explica Bensoussan.

Plano de manutenção e monitoramento
Para minimizar a possibilidade de proliferação microbiológica em tubulações e equipamentos de climatização com água parada, um plano de manutenção, operação, tratamento químico e monitoramento deve ser adotado por operadores e mantenedores de edifícios.

“Quando parados, tanto o sistema de condensação quanto o de água gelada ficam sujeitos a formação de corrosão por aeração diferencial”, lembra o químico Charles Domingues, da CDomingues Consultoria.

Num parecer técnico publicado no site da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), o especialista em engenharia e saneamento ambiental e gestão integral de águas também esclarece que os chillers centrífugos devem operar por uma hora por semana, para manter lubrificado os componentes internos do compressor e sistema de refrigeração.

Fonte: Blog do Frio