Covid-19: o que é pior, um lugar com janela aberta ou com ar-condicionado?
Smiling young African American woman using air conditioner, cooler system remote controller, switching, setting comfort temperature in living room, resting on cozy sofa at home, enjoy fresh air

Ande pelas ruas usando a sua máscara e sem ficar tocando no tecido nem levando as mãos aos olhos. Também mantenha aquela distância básica de 1,5 metro de quem ameaçar cruzar o seu caminho. Agindo assim, você estará 18 vezes mais protegido de pegar o Sars-CoV 2 nesse passeio por calçadas do que no instante em que entrar em qualquer lugar fechado. O perigo só ficaria equiparável se houvesse aglomerações — a rigor, não há céu aberto que nos proteja em uma praia lotada, por exemplo.

Essa comparação do risco de transmissão foi calculada por um estudo chinês que avaliou 7.324 casos de infecção pelo novo coronavírus. Não é o único trabalho científico nessa linha. Mas todos os outros estudos apontam para uma probabilidade bem maior de contaminação naquela loja de bairro, no salão de beleza, no banco, no mercado, na farmácia… Enfim, em tese a situação é mais grave quando a gente passa por uma porta e fica entre quatro paredes.

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Ah, sim, o risco já cai bastante com o uso de máscaras nesses recintos. Mas vamos imaginar que um sujeito infeliz a tire por um instante — se estiver infectado, será só ele expirar ou falar qualquer coisinha para o coronavírus uma escapulida. Ou talvez a máscara esteja úmida, saturada, sem tanta eficiência.

Nessa hipótese, aerossóis repletos de coronavírus, expelidos pelo nariz e pela boca, irão pairar feito nuvem e a discussão é se o ar-condicionado não ficaria jogando-os de volta, prolongando sua permanência ali, embora não existam evidências claras do fenômeno. Seria então o caso de desligar o equipamento preferindo abrir portas e janelas? Adianto a resposta: depende.

O papel quase desconhecido do ar-condicionado
“O que a covid-19 faz é escancarar um problema, o da qualidade do ar”, diz o engenheiro civil Leonardo Cozac, diretor de operações da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, a ABRAVA. Há 25 anos, ele trabalha justamente com isso.

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“A gente aprende ainda na escola sobre a importância de a água ser limpa, insípida, incolor e inodora. E, se lhe servirem uma água diferente, você irá reclamar por ameaçar a saúde”, compara. “Certíssimo, mas lembre-se que você bebe 2 litros de água por dia e respira, nessas mesmas 24 horas, cerca de 10 mil litros de ar. No entanto, sobre o ar a gente não pensa. Só respira.”

E, ao simplesmente abrirmos as janelas de casa ou do escritório, o que inspiramos não é diferente do que está na cidade lá fora. É aí, segundo Leonardo Cozac, que o ar-condicionado pode até ajudar, ao filtrar boa parte da sujeira que veio da rua. E, sobretudo, se puder trocar o tempo inteiro o ar do interior, dispersando até mesmo gotículas com o vírus, se existirem por ali.

Claro, ninguém compra ou liga o aparelho pensando nisso, ou seja, em respirar um ar mais saudável. “O que as pessoas querem é o conforto térmico e nem fazem ideia de que esse é apenas um pedaço — talvez o mais atrativo, mas não o mais importante — dessa tecnologia”, observa o engenheiro.

No entanto, o ar-condicionado também pode piorar bastante as coisas. É quando o equipamento não é instalado por um profissional especializado. Ou quando não cuidam de sua manutenção. Nesse ponto, o Brasil tem uma lei há 22 anos, segundo a qual todo e qualquer estabelecimento que não seja residencial precisa manter o seu ar-condicionado em perfeitas condições. O problema é que não há braços para fiscalizar tudo, inclusive a lojinha de bairro.

“O sistema de ar-condicionado pode ser comparado a um carro”, diz o engenheiro Cozac. “Se eu dirigir com pneus carecas, será um perigo.” Para bom entendedor, nestes tempos, aparelhos sem manutenção agravam o risco de contaminação. E a ameaça vai para as alturas se não há ou se não é acionada a função de renovação.

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